terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Kundun Balê: A luta pela cultura

O ritmo dos tambores africanos a rufar e a bater forte no chão brasileiro representa a energia da Companhia de Dança Kundun-Balê, originário do Quilombo Paiol de Telha, o primeiro a ser reconhecido no Paraná.

Próprio da língua africana Conde, Kundun-Balê ou “Aquele que Realiza”, surgiu em setembro de 2006, envolvendo crianças e adolescentes quilombolas.

A vontade de fazer acontecer o resgate da cultura de seus ancestrais, preservando também a memória presente, por meio da música, da dança, da pesquisa, motivou a comunidade ao ponto de adultos se interessarem em aderir ao trabalho cultural.

A arte está servindo como atrativo para que os adolescentes e jovens permaneçam no quilombo. Alguns que estavam na cidade retornaram atraídos pela cultura.

Muito mais do que música e dança o Kundun-Balê dá voz à uma luta que se arrasta há décadas em busca do retorno à terra dos seus ancestrais: a Invernada paiol Telha hoje no município de Reserva do Iguaçu.

Sob a coordenação do percussionista e educador, Orlando Silva, um pouco da magia da cultura africana, um pouco da Guarapuava negra, está sendo mostrado no show “Fogo da Justiça”. O show para 2008 está em fase final de montagem e vai levar para o palco a luta dos quilombolas pelo retorno à terra de origem a partir da força dos Orixás,fazendo, também, um breve passeio por rituais religiosos já dentro do sincretismo, realizados pelos seus antepassados na Invernada Paiol de Telha (Recomenda, festas em homenagem a santos).

Paralelamente, o Kundun-Balê, composto por 23 adolescentes e crianças quilombolas, vem se apresentando em municípios paranaenses com o Fogo da Justiça. O show, porém, pode ser adaptado para 13 integrantes.

Oferece também oficinas culturais e de capoeira como terapia, workshops, palestras, oficinas de cabelos, terapia africana à base dos sons dos tambores.

Hoje o Kundun-Balê está resgatando um ritual africano de iniciação cultural, o “Fogo da Sabedoria”. O projeto traça uma analogia entre um ritual de iniciação e o resgate da cidadania, da dignidade, tendo como principal ferramenta o conhecimento nos mais variados segmentos da cultura negra, desde as religiões de matrizes africanas até os dias atuais. O projeto dura o ano inteiro e já está na segunda fase, desta vez envolvendo os pais.